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O potencial das Técnicas Industriais no mercado de trabalho

  • 8 de abril de 2026

Cada vez mais, as mulheres estão desempenhando um papel de protagonismo na indústria. Para compreendermos as oportunidades para as Técnicas Industriais e os desafios do mercado de trabalho, conversamos com Thayse Christine da Silva, supervisora de educação no SENAI.

 

Como está o mercado de trabalho para as Técnicas Industriais no Brasil atualmente? 

No Brasil, hoje, as mulheres representam 40% da força de trabalho. Isso é um dado bem importante que o governo federal trouxe para podermos ter um olhar do que o técnico tem como impacto.

Temos um olhar de 40% nas áreas gerais, mas quando vamos afunilando isso dentro da indústria, somos apenas 30%. E se afunilarmos um pouquinho mais dentro da área de STEM, que é Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, somos somente 21%. Isso mostra como hoje as mulheres precisam entrar nesse mercado, elas têm muito espaço e estão deixando muitas vagas disponíveis para os homens atuarem sozinhos.

E hoje estamos falando de uma indústria limpa, uma indústria que não é mais como era antigamente, onde a força braçal dominava e o homem predominava por ser forte fisicamente. Hoje estamos falando de uma indústria na qual o intelectual pesa mais, na qual a força feminina de precisão, de tomar cuidado com as coisas é muito mais importante do que propriamente só a força bruta.  

 

Como as mulheres devem se preparar para entrar nesse mercado de trabalho? 

Hoje, pensamos muito em uma formação mais rápida. Antigamente glorificávamos a graduação, era muito importante você ter uma faculdade para conseguir uma vaga no mercado.

Hoje enxergamos que não. Tem muitas formações menores, como os cursos técnicos, que são capazes de colocar essa nova mulher dentro do mercado mais rápido. E já há estudos que mostram que quem entra no mercado de trabalho com uma formação técnica ganha 20% a mais do que quem entra só com o ensino médio.

Sem falar que em um curso técnico você termina entre 18 e 24 meses. Então, é uma formação muito mais rápida que te coloca no mercado de trabalho, ganhando um salário muito melhor. E qual seria a importância de a mulher fazer um curso técnico? O curso técnico, na verdade, vem hoje não só para formar aquela operação de base, mas tem áreas muito mais abrangentes.

Estamos falando de automação industrial, de robótica avançada, de desenvolvimento de sistemas... Nenhuma máquina hoje opera sem alguém controlar, porque a tecnologia vem avançando, a linha de produção vem avançando cada vez mais, e precisamos de pessoas com visão sistêmica. Porque a mulher naturalmente tem uma visão sistemática, olhamos para todos os processos, tomamos cuidado, somos muito detalhistas. 

E isso faz com que a mulher tenha essa grande vantagem quando escolhe uma formação técnica, quando entra na indústria.

 

Nesse sentido, qual é o diferencial da mão de obra feminina?

Como eu falei, a visão sistemática dessa mulher, a percepção, os detalhes.

Hoje, se a gente pegar uma linha de produção, por exemplo, de uma área de eletrônica, é majoritariamente feminina. Por quê? Porque a mulher tem precisão e tem cuidado. Quando a gente fala de produtos com muita precisão, uma placa eletrônica, por exemplo, se eu errar um milímetro, pode dar um problema gigantesco, pode o circuito não fechar, e aí vai ter um recaudo absurdo, e essa fábrica vai ter que gastar muito dinheiro para poder refazer todas essas placas.

Então, é um cuidado, um olhar que só a mulher consegue ter. Hoje, o desafio no mercado de trabalho é a mudança de mentalidade. Mais do que formação, mais do que ter vagas, é a mulher entender que é um espaço para ela também, não adianta nada eu dizer assim: “ah, vai lá e faz um curso técnico”, mas se ela não se enxergar dentro daquela vaga, ninguém vai conseguir fazer isso por ela.

Eu acho que hoje o maior desafio de termos tão poucas mulheres na indústria e nas formações técnicas é o mercado de trabalho. Eu sou supervisora de cursos técnicos e posso dizer: o volume de mulheres que a gente recebe é muito pequeno. Hoje, majoritariamente, as turmas são masculinas, e a gente vê essa falta de conexão com a área.

Muitas vezes, elas entram, veem que tem muitos homens e aí se sentem oprimidas e têm medo de se impor. Esse é um ponto muito importante. É um lugar nosso, a gente tem que buscar esse lugar.

Eu tenho uma formação técnica. Quando fiz tanto a minha graduação quanto o meu curso técnico, só tinham homens na minha sala. E nunca foi um espaço que eu me senti insegura ou que eu me senti menor do que eles. Pelo contrário, a gente precisa entender que aquele espaço é tão nosso quanto deles, assim como todo o resto da nossa sociedade.

 

E há ainda a questão de lidar com o machismo estrutural. As mulheres que trabalham nas áreas técnicas e industriais sofrem preconceito e assédio? 

Hoje, na indústria, assim como na sociedade, isso vem se quebrando. Não adianta a gente dizer que não tem, porque se temos na sociedade, vamos ter dentro da indústria também.

Mas, hoje, ter uma mulher na indústria é muito valorizado e muito lucrativo. Pensando no lado da indústria, né? Ao ter uma mulher, ela tem mais cuidado, como eu já falei, tem mais zelo, é uma profissional dedicada, ela está ali 100%. E perdê-la é muito custoso para essa indústria.

Então, tem muitas ações dentro das indústrias contra o assédio e contra a discriminação. E existem canais de ética, de compliance. Dentro das grandes indústrias, hoje todas têm - o que é fundamental para manter essa segurança nessa mulher na indústria. Isso mostra que essa mudança de mentalidade já está acontecendo. Basta só a gente se colocar lá.

 

A tecnologia está diminuindo a oferta de vagas, por exemplo, com os processos de automação e a inteligência artificial? 

Pelo contrário, ela está trazendo mais vagas para as mulheres, na verdade. Hoje, o que mais se fala é na inteligência artificial, que ela vem roubando... Pelo contrário, eu não consigo ter uma máquina controlando uma produção se eu não tiver alguém controlando essa máquina.

A máquina não vai decidir ser mais eficiente do dia para a noite. Ela não vai tomar a decisão de fazer uma peça nova na hora da mudança de uma linha de produção. Ela vai fazer exatamente aquilo que ela está sendo programada para fazer.

E aí entra o fator intelectual. Nós, mulheres, conseguimos muito. Se a gente não consegue entregar força bruta, a gente entrega força intelectual. E nós nos colocamos nessa posição. Hoje, a linha de produção depende de programadoras, depende de técnicas de automação industrial, depende de técnicas de robótica.

Hoje, as mulheres podem se inserir principalmente com essa mudança de paradigmas. Hoje, não falamos mais de força bruta, falamos de força mental. 

 

Nesse contexto tecnológico e de intensas transformações da Indústria 4.0, qual é o perfil das líderes do futuro? 

Quando a gente fala de liderança, a gente fala de pessoas. Mas tá, como é que essa mulher vai conseguir um cargo de liderança só pensando em pessoas? Não, ela primeiro precisa saber tecnicamente tudo aquilo que é estruturado. O primeiro ponto é ter consciência de que ela tem a habilidade técnica para executar todas aquelas tarefas que ela vai liderar. Então, ela primeiro precisa ter essa formação, ela vai se especializar, ela vai ter essa consciência técnica, vai se posicionar.

Uma vez na liderança, hoje o mercado pede gestão de pessoas, olhar para as pessoas, querendo ou não. Como eu venho falando, a gente não está mais falando de força bruta, a gente está falando de força intelectual. E para trabalhar com a parte intelectual,  é muito importante a parte de cuidar da inteligência emocional. E essa liderança precisa ter desenvolvido essa inteligência emocional, ela precisa ter desenvolvido toda essa parte de entender e ter empatia, que é algo muito natural para as mulheres. Essa parte da empatia, do entender o outro. Então, hoje eu vejo que o caminho está cada vez mais aberto para as mulheres entrarem não só na linha de produção, mas em cargos de chefia, de liderança dentro dessas indústrias. 

 

Clique aqui e confira a entrevista completa do podcast “Espaço Técnico” no canal do YouTube “CRT-04 - Canal dos Técnicos”.  

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Como está o mercado de trabalho para as Técnicas Industriais no Brasil atualmente? 

No Brasil, hoje, as mulheres representam 40% da força de trabalho. Isso é um dado bem importante que o governo federal trouxe para podermos ter um olhar do que o técnico tem como impacto.

Temos um olhar de 40% nas áreas gerais, mas quando vamos afunilando isso dentro da indústria, somos apenas 30%. E se afunilarmos um pouquinho mais dentro da área de STEM, que é Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática, somos somente 21%. Isso mostra como hoje as mulheres precisam entrar nesse mercado, elas têm muito espaço e estão deixando muitas vagas disponíveis para os homens atuarem sozinhos.

E hoje estamos falando de uma indústria limpa, uma indústria que não é mais como era antigamente, onde a força braçal dominava e o homem predominava por ser forte fisicamente. Hoje estamos falando de uma indústria na qual o intelectual pesa mais, na qual a força feminina de precisão, de tomar cuidado com as coisas é muito mais importante do que propriamente só a força bruta.  

 

Como as mulheres devem se preparar para entrar nesse mercado de trabalho? 

Hoje, pensamos muito em uma formação mais rápida. Antigamente glorificávamos a graduação, era muito importante você ter uma faculdade para conseguir uma vaga no mercado.

Hoje enxergamos que não. Tem muitas formações menores, como os cursos técnicos, que são capazes de colocar essa nova mulher dentro do mercado mais rápido. E já há estudos que mostram que quem entra no mercado de trabalho com uma formação técnica ganha 20% a mais do que quem entra só com o ensino médio.

Sem falar que em um curso técnico você termina entre 18 e 24 meses. Então, é uma formação muito mais rápida que te coloca no mercado de trabalho, ganhando um salário muito melhor. E qual seria a importância de a mulher fazer um curso técnico? O curso técnico, na verdade, vem hoje não só para formar aquela operação de base, mas tem áreas muito mais abrangentes.

Estamos falando de automação industrial, de robótica avançada, de desenvolvimento de sistemas... Nenhuma máquina hoje opera sem alguém controlar, porque a tecnologia vem avançando, a linha de produção vem avançando cada vez mais, e precisamos de pessoas com visão sistêmica. Porque a mulher naturalmente tem uma visão sistemática, olhamos para todos os processos, tomamos cuidado, somos muito detalhistas. 

E isso faz com que a mulher tenha essa grande vantagem quando escolhe uma formação técnica, quando entra na indústria.

 

Nesse sentido, qual é o diferencial da mão de obra feminina?

Como eu falei, a visão sistemática dessa mulher, a percepção, os detalhes.

Hoje, se a gente pegar uma linha de produção, por exemplo, de uma área de eletrônica, é majoritariamente feminina. Por quê? Porque a mulher tem precisão e tem cuidado. Quando a gente fala de produtos com muita precisão, uma placa eletrônica, por exemplo, se eu errar um milímetro, pode dar um problema gigantesco, pode o circuito não fechar, e aí vai ter um recaudo absurdo, e essa fábrica vai ter que gastar muito dinheiro para poder refazer todas essas placas.

Então, é um cuidado, um olhar que só a mulher consegue ter. Hoje, o desafio no mercado de trabalho é a mudança de mentalidade. Mais do que formação, mais do que ter vagas, é a mulher entender que é um espaço para ela também, não adianta nada eu dizer assim: “ah, vai lá e faz um curso técnico”, mas se ela não se enxergar dentro daquela vaga, ninguém vai conseguir fazer isso por ela.

Eu acho que hoje o maior desafio de termos tão poucas mulheres na indústria e nas formações técnicas é o mercado de trabalho. Eu sou supervisora de cursos técnicos e posso dizer: o volume de mulheres que a gente recebe é muito pequeno. Hoje, majoritariamente, as turmas são masculinas, e a gente vê essa falta de conexão com a área.

Muitas vezes, elas entram, veem que tem muitos homens e aí se sentem oprimidas e têm medo de se impor. Esse é um ponto muito importante. É um lugar nosso, a gente tem que buscar esse lugar.

Eu tenho uma formação técnica. Quando fiz tanto a minha graduação quanto o meu curso técnico, só tinham homens na minha sala. E nunca foi um espaço que eu me senti insegura ou que eu me senti menor do que eles. Pelo contrário, a gente precisa entender que aquele espaço é tão nosso quanto deles, assim como todo o resto da nossa sociedade.

 

E há ainda a questão de lidar com o machismo estrutural. As mulheres que trabalham nas áreas técnicas e industriais sofrem preconceito e assédio? 

Hoje, na indústria, assim como na sociedade, isso vem se quebrando. Não adianta a gente dizer que não tem, porque se temos na sociedade, vamos ter dentro da indústria também.

Mas, hoje, ter uma mulher na indústria é muito valorizado e muito lucrativo. Pensando no lado da indústria, né? Ao ter uma mulher, ela tem mais cuidado, como eu já falei, tem mais zelo, é uma profissional dedicada, ela está ali 100%. E perdê-la é muito custoso para essa indústria.

Então, tem muitas ações dentro das indústrias contra o assédio e contra a discriminação. E existem canais de ética, de compliance. Dentro das grandes indústrias, hoje todas têm - o que é fundamental para manter essa segurança nessa mulher na indústria. Isso mostra que essa mudança de mentalidade já está acontecendo. Basta só a gente se colocar lá.

 

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Pelo contrário, ela está trazendo mais vagas para as mulheres, na verdade. Hoje, o que mais se fala é na inteligência artificial, que ela vem roubando... Pelo contrário, eu não consigo ter uma máquina controlando uma produção se eu não tiver alguém controlando essa máquina.

A máquina não vai decidir ser mais eficiente do dia para a noite. Ela não vai tomar a decisão de fazer uma peça nova na hora da mudança de uma linha de produção. Ela vai fazer exatamente aquilo que ela está sendo programada para fazer.

E aí entra o fator intelectual. Nós, mulheres, conseguimos muito. Se a gente não consegue entregar força bruta, a gente entrega força intelectual. E nós nos colocamos nessa posição. Hoje, a linha de produção depende de programadoras, depende de técnicas de automação industrial, depende de técnicas de robótica.

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Quando a gente fala de liderança, a gente fala de pessoas. Mas tá, como é que essa mulher vai conseguir um cargo de liderança só pensando em pessoas? Não, ela primeiro precisa saber tecnicamente tudo aquilo que é estruturado. O primeiro ponto é ter consciência de que ela tem a habilidade técnica para executar todas aquelas tarefas que ela vai liderar. Então, ela primeiro precisa ter essa formação, ela vai se especializar, ela vai ter essa consciência técnica, vai se posicionar.

Uma vez na liderança, hoje o mercado pede gestão de pessoas, olhar para as pessoas, querendo ou não. Como eu venho falando, a gente não está mais falando de força bruta, a gente está falando de força intelectual. E para trabalhar com a parte intelectual,  é muito importante a parte de cuidar da inteligência emocional. E essa liderança precisa ter desenvolvido essa inteligência emocional, ela precisa ter desenvolvido toda essa parte de entender e ter empatia, que é algo muito natural para as mulheres. Essa parte da empatia, do entender o outro. Então, hoje eu vejo que o caminho está cada vez mais aberto para as mulheres entrarem não só na linha de produção, mas em cargos de chefia, de liderança dentro dessas indústrias. 

 

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