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A Importância do Ensino Técnico

  • 5 de maio de 2026

O investimento em ensino técnico representa uma importante estratégia para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil, isso porque, além de atender à alta demanda de vagas na indústria, proporciona a oportunidade de crescimento profissional em um curto prazo para grande parcela da população que está em busca de emprego. 

Para compreendermos a atual configuração do mercado de trabalho, as inovações tecnológicas e o futuro da educação profissionalizante, convidamos Tiago Semprebom, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina). 

 

Qual é a importância, no seu entendimento, do ensino técnico atualmente? 

O ensino técnico é estratégico para o Brasil hoje. Observamos que nós temos hoje poucas pessoas formadas com conhecimento prático, alinhados às demandas da indústria, mas há muita formação desalinhada com o mercado.

Se formos pensar em um cenário de mudanças tecnológicas, de inovação, de agilidade no perfil das pessoas, entendemos a formação técnica como alguém que vai ser formado mais rápido, com uma formação mais próxima da realidade do setor produtivo, da indústria, e que vai conseguir atender às demandas do mercado. Então, nesse sentido, seria uma formação estratégica para o país. Para conseguirmos atender às evoluções, às mudanças que a gente tem nos últimos anos.

Qual é a diferença entre o ensino médio, o curso técnico e também a graduação?

Um ensino técnico tradicional, ele é basicamente um ensino formal. O estudante tem muito pouco contato com a parte prática das experiências as quais ele está sendo apresentado. A graduação, por outro lado, tem uma formação um pouco mais demorada. Geralmente os cursos superiores são mais longos do que os cursos técnicos.

O curso técnico preenche um pouco esse gap. A gente consegue ter uma formação mais rápida, mais direcionada, com maior empregabilidade, muitas vezes, porque o setor produtivo absorve esse profissional com mais agilidade, com mais rapidez, porque ele já chega sabendo fazer. E ele encomenda muitas vezes esse profissional. 

Como está o mercado de trabalho? Quais são as áreas técnicas que hoje possuem mais vagas de emprego? 

O mercado apresenta, com certeza, um desequilíbrio, que está muito claro. Falta de mão de obra. Alguns setores, alguns industriários, até citam apagão de mão de obra, usam esse termo, para algumas áreas técnicas.

Eu destaco algumas delas, como, por exemplo, a área de tecnologia da informação. A área de eletrotécnica e energias renováveis hoje. Um grande número de vagas, uma demanda absurda e tende a crescer. Automação industrial, Indústria 4.0, observe que aqui eu não estou dizendo automação numa perspectiva tradicional de automação, mas sim na indústria 4.0, alguém que já está se qualificando nessa área. Construção civil, também uma grande demanda. Um setor que não para de crescer, sobretudo aqui no Estado de Santa Catarina. E a questão de manutenção industrial também.

O setor produtivo carece bastante dessas demandas. Mais especificamente na área de

tecnologia da informação, fazer um recorte no Estado de Santa Catarina, a gente tem hoje 27 mil empresas de tecnologia cadastradas no Estado. Essas empresas juntas, elas somam 7,5% do PIB do Estado.

Então, é um setor significativo. Produz muito. E a gente estima que até 2030, a gente vai ter uma demanda acumulada só na área de TI de mais de 100 mil vagas. Isso aqui não é vagas que ainda vão surgir. São vagas que não conseguiram ser preenchidas hoje.

Então, está muito claro que vaga não falta. Talvez o que falta é uma qualificação desses

profissionais para atuar nessas vagas que estão ali na área de desenvolvimento e infraestrutura de TI, basicamente. Ou seja, o resumo é que ainda tem muita coisa para acontecer, tem muito crescimento ainda.

Fazendo uma comparação em relação a como o ensino profissionalizante é desenvolvido em outros lugares do mundo em relação ao Brasil, qual a sua avaliação? 

Hoje, eu trago os institutos de ensino como exemplo, porque eu não tenho dúvida que é um modelo de sucesso que está implementado hoje no Brasil. Talvez seja algo único no mundo. Se você pegar os dados hoje do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os alunos dos institutos federais, a gente é comparado com um país de primeiro mundo. Eles conseguem ótimos resultados, e a gente consegue formar muito bem os nossos estudantes. Hoje, os institutos federais, eles estão espalhados no Brasil inteiro, são 725 campi espalhados no Brasil todo, mais ou menos 2 milhões de matrículas. Então, a gente tem menos de 1% da população brasileira atendida por institutos federais.

Quando se fala de ensino técnico a gente costuma trazer o exemplo da Alemanha, eles têm uma diferença que ela é muito observada. A dualidade curricular. Hoje, a gente vê que o setor produtivo participa da construção do currículo, do curso técnico, que vai trabalhar depois nessa empresa.

Então, ele tem essa parceria muito forte, e o estudante, quando ele começa a fazer um curso técnico numa instituição de ensino técnico na Alemanha, ele é quase que já um estudante trabalhador. Ele já começa a desenvolver o estágio, já começa a ter interação com a empresa, desde o começo do curso. Então, quando ele se forma, basicamente, ele já tá ali.

Hoje, eu acho que a gente tem isso nos institutos, através dos estágios, e a gente tem nossos estudantes, muitos deles já acabam o curso técnico e estão empregados, outros seguem outras carreiras. Mas, eu observo essa diferença, assim. A gente talvez teria que trazer a indústria para dentro, tanto na construção dos currículos, sim, como na vida do estudante mesmo. Deixa a relação mais estreita. É mais fácil. Citando esse exemplo da Alemanha, que achei, assim, genial. Porque você, enfim, estreita a relação e trabalha otimizando a demanda de ensino e tudo mais. 

Sabemos que as tecnologias estão mudando o mercado, mas o ensino técnico também está sendo muito transformado pelas tecnologias?

Sim, temos duas mudanças, uma em conteúdo e outra na forma de ensinar. Eu destaco duas mudanças. Com relação ao conteúdo, passamos a ter mais foco em automação de processos, em questão de análise de dados, digitalização...

Hoje acaba sendo feito muito de forma digital, mas também há uma mudança na forma de

ensinar o estudante, no perfil formativo desse estudante. A gente acaba tendo hoje muitas possibilidades que eu diria que são adicionais ao que era feito no ensino técnico tradicional, que é, por exemplo, o uso de simuladores para os estudantes. Às vezes o aluno não tem condições de realizar um experimento ali na instituição, ele quer replicar alguma coisa, mas a gente tem bons simuladores para ele poder testar e fazer o uso.

Eu digo que há laboratórios virtuais, que, inclusive, estão integrados a laboratórios reais com simuladores. Mas eu diria que isso não substitui a parte prática. Jamais um simulador vai substituir a parte prática de um curso técnico.

O uso dos laboratórios ou dos espaços, da infraestrutura laboratorial oferecida nos cursos

técnicos, eu acredito que nunca vai deixar de existir. A gente diz que é o mão na massa, saber fazer para um técnico, isso é primordial.

Por isso que eu não acredito muito em curso técnico totalmente à distância. Eu diria que a gente ainda está distante desse tipo de curso, não é realidade. Talvez não no perfil que a gente espera, na qualidade que a gente espera, não é o perfil de estudante que a gente forma no Instituto Federal.

Como você vê o futuro da educação técnica no Brasil?

Num país tão diverso como o nosso, a gente tem um gap enorme hoje na formação das

pessoas. Hoje o IFSC, os Institutos Federais, têm um papel também social para tentar

resolver um pouco a questão da alfabetização no nosso país.

Quando você olha para o nosso itinerário, eu acho que isso é muito importante ser citado aqui, 10% das nossas vagas são cursos de ProEJA, são cursos basicamente de alfabetização e de inclusão digital junto. Eu tenho um curso EJA, de educação de jovens e adultos, mas com a parte técnica também, para oferecer alguma formação técnica para esse estudante. Uma vez eu tenho esse aluno com a formação básica completa, com curso ProEJA, ele pode ingressar em um curso técnico.

Isso somente os Institutos Federais fazem no Brasil. Se consegue pegar alguém lá na ponta, que não tem sequer a formação formal ainda, faz um curso técnico, um curso subsequente que eu acabei de dizer, ele pode entrar em uma graduação, a gente oferece também graduações, fazer uma pós-graduação. Então eu pego lá uma pessoa com a formação básica, ofereço a formação básica, passando pelo técnico, pela graduação até a pós-graduação.

Essa verticalização do ensino é um dos pontos fortes e os Institutos Federais têm essa possibilidade. Por isso que eu digo que é algo único, é uma política de Estado no Brasil que funciona e atende também essa lacuna. Mas eu acho que a gente está muito distante ainda e essa seria uma meta muito ambiciosa de colocar aqui para ti.

Quando você me pergunta como será o futuro da educação, ele tem algumas

características que a gente já começa a vivenciar agora, inclusive com as novas

gerações que estão chegando, o perfil de estudante que está chegando é diferente. Eu acredito num futuro, numa educação mais flexível talvez.

Inclusive aquele modelo tradicional onde a gente às vezes tem um sonho de ter um diploma de curso superior, consegue o diploma superior, mas muitas vezes você vai ter que voltar para fazer um curso técnico para se requalificar, para se atualizar. A tecnologia está mudando muito. A gente teve na última quarta-feira, um seminário de inteligência artificial generativa da instituição.

Então a gente já está olhando como que a IA, no caso a IA generativa, quando a gente

consegue começar a produzir informações através da inteligência artificial, como que ela impacta no papel formativo dos alunos. Eles estão aprendendo de forma diferente. É muito mais flexível, é muito mais rápido.

Então aquela ideia de você entrar numa graduação - e ficar muitos anos ali - acaba sendo um pouco substituída pelo padrão de competências, o saber fazer, quem consegue entregar. 

 

Clique aqui para assistir à entrevista completa do podcast Espaço Técnico.

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Qual é a importância, no seu entendimento, do ensino técnico atualmente? 

O ensino técnico é estratégico para o Brasil hoje. Observamos que nós temos hoje poucas pessoas formadas com conhecimento prático, alinhados às demandas da indústria, mas há muita formação desalinhada com o mercado.

Se formos pensar em um cenário de mudanças tecnológicas, de inovação, de agilidade no perfil das pessoas, entendemos a formação técnica como alguém que vai ser formado mais rápido, com uma formação mais próxima da realidade do setor produtivo, da indústria, e que vai conseguir atender às demandas do mercado. Então, nesse sentido, seria uma formação estratégica para o país. Para conseguirmos atender às evoluções, às mudanças que a gente tem nos últimos anos.

Qual é a diferença entre o ensino médio, o curso técnico e também a graduação?

Um ensino técnico tradicional, ele é basicamente um ensino formal. O estudante tem muito pouco contato com a parte prática das experiências as quais ele está sendo apresentado. A graduação, por outro lado, tem uma formação um pouco mais demorada. Geralmente os cursos superiores são mais longos do que os cursos técnicos.

O curso técnico preenche um pouco esse gap. A gente consegue ter uma formação mais rápida, mais direcionada, com maior empregabilidade, muitas vezes, porque o setor produtivo absorve esse profissional com mais agilidade, com mais rapidez, porque ele já chega sabendo fazer. E ele encomenda muitas vezes esse profissional. 

Como está o mercado de trabalho? Quais são as áreas técnicas que hoje possuem mais vagas de emprego? 

O mercado apresenta, com certeza, um desequilíbrio, que está muito claro. Falta de mão de obra. Alguns setores, alguns industriários, até citam apagão de mão de obra, usam esse termo, para algumas áreas técnicas.

Eu destaco algumas delas, como, por exemplo, a área de tecnologia da informação. A área de eletrotécnica e energias renováveis hoje. Um grande número de vagas, uma demanda absurda e tende a crescer. Automação industrial, Indústria 4.0, observe que aqui eu não estou dizendo automação numa perspectiva tradicional de automação, mas sim na indústria 4.0, alguém que já está se qualificando nessa área. Construção civil, também uma grande demanda. Um setor que não para de crescer, sobretudo aqui no Estado de Santa Catarina. E a questão de manutenção industrial também.

O setor produtivo carece bastante dessas demandas. Mais especificamente na área de

tecnologia da informação, fazer um recorte no Estado de Santa Catarina, a gente tem hoje 27 mil empresas de tecnologia cadastradas no Estado. Essas empresas juntas, elas somam 7,5% do PIB do Estado.

Então, é um setor significativo. Produz muito. E a gente estima que até 2030, a gente vai ter uma demanda acumulada só na área de TI de mais de 100 mil vagas. Isso aqui não é vagas que ainda vão surgir. São vagas que não conseguiram ser preenchidas hoje.

Então, está muito claro que vaga não falta. Talvez o que falta é uma qualificação desses

profissionais para atuar nessas vagas que estão ali na área de desenvolvimento e infraestrutura de TI, basicamente. Ou seja, o resumo é que ainda tem muita coisa para acontecer, tem muito crescimento ainda.

Fazendo uma comparação em relação a como o ensino profissionalizante é desenvolvido em outros lugares do mundo em relação ao Brasil, qual a sua avaliação? 

Hoje, eu trago os institutos de ensino como exemplo, porque eu não tenho dúvida que é um modelo de sucesso que está implementado hoje no Brasil. Talvez seja algo único no mundo. Se você pegar os dados hoje do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), os alunos dos institutos federais, a gente é comparado com um país de primeiro mundo. Eles conseguem ótimos resultados, e a gente consegue formar muito bem os nossos estudantes. Hoje, os institutos federais, eles estão espalhados no Brasil inteiro, são 725 campi espalhados no Brasil todo, mais ou menos 2 milhões de matrículas. Então, a gente tem menos de 1% da população brasileira atendida por institutos federais.

Quando se fala de ensino técnico a gente costuma trazer o exemplo da Alemanha, eles têm uma diferença que ela é muito observada. A dualidade curricular. Hoje, a gente vê que o setor produtivo participa da construção do currículo, do curso técnico, que vai trabalhar depois nessa empresa.

Então, ele tem essa parceria muito forte, e o estudante, quando ele começa a fazer um curso técnico numa instituição de ensino técnico na Alemanha, ele é quase que já um estudante trabalhador. Ele já começa a desenvolver o estágio, já começa a ter interação com a empresa, desde o começo do curso. Então, quando ele se forma, basicamente, ele já tá ali.

Hoje, eu acho que a gente tem isso nos institutos, através dos estágios, e a gente tem nossos estudantes, muitos deles já acabam o curso técnico e estão empregados, outros seguem outras carreiras. Mas, eu observo essa diferença, assim. A gente talvez teria que trazer a indústria para dentro, tanto na construção dos currículos, sim, como na vida do estudante mesmo. Deixa a relação mais estreita. É mais fácil. Citando esse exemplo da Alemanha, que achei, assim, genial. Porque você, enfim, estreita a relação e trabalha otimizando a demanda de ensino e tudo mais. 

Sabemos que as tecnologias estão mudando o mercado, mas o ensino técnico também está sendo muito transformado pelas tecnologias?

Sim, temos duas mudanças, uma em conteúdo e outra na forma de ensinar. Eu destaco duas mudanças. Com relação ao conteúdo, passamos a ter mais foco em automação de processos, em questão de análise de dados, digitalização...

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O uso dos laboratórios ou dos espaços, da infraestrutura laboratorial oferecida nos cursos

técnicos, eu acredito que nunca vai deixar de existir. A gente diz que é o mão na massa, saber fazer para um técnico, isso é primordial.

Por isso que eu não acredito muito em curso técnico totalmente à distância. Eu diria que a gente ainda está distante desse tipo de curso, não é realidade. Talvez não no perfil que a gente espera, na qualidade que a gente espera, não é o perfil de estudante que a gente forma no Instituto Federal.

Como você vê o futuro da educação técnica no Brasil?

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pessoas. Hoje o IFSC, os Institutos Federais, têm um papel também social para tentar

resolver um pouco a questão da alfabetização no nosso país.

Quando você olha para o nosso itinerário, eu acho que isso é muito importante ser citado aqui, 10% das nossas vagas são cursos de ProEJA, são cursos basicamente de alfabetização e de inclusão digital junto. Eu tenho um curso EJA, de educação de jovens e adultos, mas com a parte técnica também, para oferecer alguma formação técnica para esse estudante. Uma vez eu tenho esse aluno com a formação básica completa, com curso ProEJA, ele pode ingressar em um curso técnico.

Isso somente os Institutos Federais fazem no Brasil. Se consegue pegar alguém lá na ponta, que não tem sequer a formação formal ainda, faz um curso técnico, um curso subsequente que eu acabei de dizer, ele pode entrar em uma graduação, a gente oferece também graduações, fazer uma pós-graduação. Então eu pego lá uma pessoa com a formação básica, ofereço a formação básica, passando pelo técnico, pela graduação até a pós-graduação.

Essa verticalização do ensino é um dos pontos fortes e os Institutos Federais têm essa possibilidade. Por isso que eu digo que é algo único, é uma política de Estado no Brasil que funciona e atende também essa lacuna. Mas eu acho que a gente está muito distante ainda e essa seria uma meta muito ambiciosa de colocar aqui para ti.

Quando você me pergunta como será o futuro da educação, ele tem algumas

características que a gente já começa a vivenciar agora, inclusive com as novas

gerações que estão chegando, o perfil de estudante que está chegando é diferente. Eu acredito num futuro, numa educação mais flexível talvez.

Inclusive aquele modelo tradicional onde a gente às vezes tem um sonho de ter um diploma de curso superior, consegue o diploma superior, mas muitas vezes você vai ter que voltar para fazer um curso técnico para se requalificar, para se atualizar. A tecnologia está mudando muito. A gente teve na última quarta-feira, um seminário de inteligência artificial generativa da instituição.

Então a gente já está olhando como que a IA, no caso a IA generativa, quando a gente

consegue começar a produzir informações através da inteligência artificial, como que ela impacta no papel formativo dos alunos. Eles estão aprendendo de forma diferente. É muito mais flexível, é muito mais rápido.

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